Na reta final da campanha presidencial, os candidatos concentraram esforços em temas que dominaram o debate público ao longo dos últimos meses. Da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ao avanço da Inteligência Artificial (IA), passando pelo fim das apostas esportivas on-line e por temas como economia e segurança pública, a eleição foi marcada por assuntos que extrapolaram a disputa partidária e refletiram desafios enfrentados pelo país.
O primeiro turno das eleições acontece no dia 4 de outubro, um domingo. Caso haja a necessidade de segundo turno para presidente ou governador, a nova votação será realizada em 25 de outubro. Neste pleito, eleitores votam para deputado distrital ou estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente.
A poucos dias da votação, a campanha presidencial chegou ao fim marcada por uma combinação de temas políticos, econômicos e sociais. Abaixo estão os principais tópicos tratados na corrida ao Palácio do Planalto:
- Caso Nossa Senhora Aparecida: A controvérsia começou após a circulação, nas redes sociais, de publicações que associavam Flávio Bolsonaro e setores da direita a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O candidato negou a existência de qualquer proposta nesse sentido. Após decisões divergentes entre ministros do STF e do TSE, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter a retirada de posts falsos sobre o tema, liberando publicações específicas como a do humorista Antonio Tabet. O senador comparou a fake news com a facada sofrida por Jair Bolsonaro em 2018. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou em evento em Belém (PA) que "ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida".
- Crise no STF: A crise envolvendo ministros do STF se transformou em um dos principais temas da campanha após relatórios da Polícia Federal indicarem trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, além de registros sobre a atuação do magistrado em contrato com o escritório de sua esposa. O embate gerou uma divisão interna na Corte entre diferentes alas de ministros. O presidente Lula afirmou que não pode ser responsabilizado pelas indicações de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, pois não estava na Presidência quando foram nomeados. Flávio Bolsonaro criticou parte do Supremo e o governo federal, classificando-os como parte de um "sistema apodrecido".
- Uso de IA nas campanhas: A disputa de 2026 foi a primeira a registrar o uso constante de inteligência artificial. O tema ganhou projeção após a convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro, na qual foi exibido um vídeo gerado por IA com um pronunciamento simulado de Jair Bolsonaro. O TSE manteve a proibição de deepfakes em campanhas, estabelecendo que o veto ocorre quando o material apresenta grau de realismo capaz de enganar o eleitor.
- Reajuste do Bolsa Família: O programa social foi central para contrapor visões sobre o papel do Estado após o anúncio do governo de elevar o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691. O reajuste foi criticado por adversários: Renan Santos (Missão) acionou o TSE para sustar os efeitos do decreto; Flávio Bolsonaro acusou a gestão de tentar comprar votos e prometeu um corte drástico de gastos; e Ronaldo Caiado (PSD) também classificou a medida como eleitoreira.
- Fim das bets: As plataformas de apostas esportivas entraram na pauta após o governo federal editar uma Medida Provisória com a proibição total de apostas de quota fixa, jogos online e cassinos virtuais no país, como o "Jogo do Tigrinho". Flávio Bolsonaro prometeu não permitir cassinos online em seu mandato; Augusto Cury defendeu a eliminação ou taxação maior; Renan Santos apoiou a proibição e a criação de programas para endividados; e Ronaldo Caiado classificou a decisão governamental como oportunista, defendendo restrição gradual.
- Economia: Questões como inflação, emprego, renda, juros e o controle da taxa Selic mantiveram-se no centro das propostas. Lula defendeu a responsabilidade fiscal e a manutenção do arcabouço fiscal para conter a inflação; Flávio Bolsonaro propôs um corte severo nos gastos públicos e revisão da reforma tributária; Cury sugeriu o "Banco do Empreendedor" com juros fixos; Caiado defendeu a estabilização fiscal plurianual; e Renan Santos propôs a "PEC do Equilíbrio Fiscal" com ajustes bilionários.
- Segurança Pública: O combate ao crime organizado e o endurecimento de penas integraram os debates. Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e a recriação do Ministério da Segurança; Flávio Bolsonaro propôs classificar facções como "narcoterroristas", reduzir a maioridade penal para 16 anos e ampliar vagas em presídios; Cury sugeriu o uso de inteligência artificial e câmeras inteligentes; Renan Santos defendeu medidas mais rígidas baseadas no Direito Penal do Inimigo; e Caiado também planeja recriar a pasta de Segurança Pública com secretarias de proteção a minorias.
- Registro de candidatura de Flávio: Um episódio burocrático marcou o início da campanha quando o candidato apareceu inicialmente filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral devido a uma tentativa de filiação que o partido classificou como fraudulenta e tentou cancelar. O caso foi solucionado após a regularização da filiação ao PL, gerando repercussão entre aliados e adversários.
Fonte original: G1