Depois de duas décadas, o Estádio Eli Seabra Filho, conhecido como Praia do Ó, voltou a receber uma partida oficial de futebol. O campo em Sabará, na região Metropolitana de Belo Horizonte, foi o palco do duelo entre o time da casa, o Esporte Clube Siderúrgica, e o Betim B, pela Segunda Divisão do Campeonato Mineiro, que equivale ao terceiro nível do Estadual.
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Com capacidade liberada de 500 torcedores, o Praia do Ó faz valer a alcunha de estádio "raiz". A estrutura, inaugurada na década de 1930, conta com fachada e arquibancadas no estilo clássico e uma peculiaridade: os torcedores acessam às arquibancadas poder meio de uma ponte estreita sobre o Rio Sabará.
Bicampeão do Campeonato Mineiro — e quinto maior vencedor do torneio até hoje — o Siderúrgica retomou as atividades profissionais nesta temporada após 10 anos. No primeiro jogo em casa, o time acabou derrotado por 1 a 0 pelo Betim.
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A última vez que o Estádio Eli Seabra Filho havia recebido um jogo oficial foi em 2007. Desde então, o Praia do Ó foi usado apenas para jogos amadores na cidade e para as partidas das categorias de base.
Antes de se afastar do futebol profissional em 2016, o Siderúrgica precisou mandar os jogos em outras cidades por conta de limitações no Praia do Ó. O Estádio Israel Pinheiro, em Itabira, e a Arena Frimisa, em Santa Luzia, foram algumas das casas do time neste século.
Para mandar os jogos na cidade de Sabará neste ano, a equipe da casa precisou investir em melhorias no equipamento, que pertence à Prefeitura. Segundo o gestor do projeto, Maycon Amaro Romão, a reforma ocorreu com recursos do próprio clube.
— Nós tivemos que mexer na parte elétrica, nas pinturas do estádio, chuveiros, trocar piso. E no gramado em si, recuperamos a irrigação. A bomba de irrigação funcionava, mas estava parada, faltavam algumas peças, recuperamos. Tivemos que passar o fungicida, depois matar as formigas, passar os produtos para que a grama criasse raiz, areia no campo. Foi um processo longo, de quase 120 dias — explicou.
Presidente de honra do Siderúrgica, Maycon Romão é filho do ex-zagueiro Alfeu, um dos ídolos históricos do clube e campeão ineiro em 1964. Para o dirigente, ver o Praia do Ó voltar a ser utilizado pelo time azul e branco é um momento histórico para a cidade.
— A gente coloca lá o bandeirão, a fumaça, faz toda aquela festa. É diferente jogar lá. Tem toda uma mística, de um time que foi bicampeão mineiro. Nós passamos ali naquela ponte, na entrada. É algo especial jogar na Praia do Ó, é um sentimento que a gente tem de pertencimento ao estádio — afirmou.
Mesmo com a liberação da Federação Mineira para uso do estádio, a diretoria levou um susto na semana do duelo contra o Betim. A Prefeitura de Sabará vetou o uso do Praia do Ó, alegando que não autorizou a utilização do espaço com venda de bilheteria.
Com a decisão, o clube corria o risco de ser realocado para outra cidade pela FMF. A liberação só foi confirmada dois dias antes do jogo após negociações com o Governo Municipal.
Fundado em 1930, o Esporte Clube Siderúrgica surgiu a partir da iniciativa de um grupo de funcionários da antiga Usina Siderúrgica Belgo-Mineira, que se instalou em Sabará anos antes. Até hoje, a indústria do aço é uma das principais atividades econômicas do município.
Com o crescimento do clube, o estádio foi construído em um terreno ao lado da usina. O apelido se deve ao nome da uma antiga praça de esportes que ficava no local, às margens do Rio Sabará.
Em 1937, o Siderúrgica conquistou o primeiro título estadual da sua história, superando o Villa Nova na decisão. O clube de Nova Lima é um dos rivais históricos da equipe de Sabará — os dois clubes são os maiores campeões estaduais depois de Cruzeiro, Atlético e América.
Quase três décadas depois, o time sabarense levantou o segundo troféu do Mineiro, em 1964. No ano seguinte, representou o estado na Taça Brasil, que equivale ao atual Campeonato Brasileiro, no que foi a única participação do clube em uma competição nacional.
Após a campanha histórica no Estadual, o Siderúrgica perdeu o apoio financeiro da Belgo-Mineira. Em 1967, a equipe pediu licenciamento à Federação Mineira e nunca mais retornou à elite.
A partir do final do Século XX, o clube tentou retomar as atividades em muitas oportunidades, mas não conquistou nenhum acesso. A última aparição em um torneio profissional foi em 2016, quando jogou a Segunda Divisão do Mineiro e foi eliminado sem nenhuma vitória.
Sem competições por dez anos, o clube estava sob risco de perder a licença de time profissional junto à Federação Mineira de Futebol. A retomada da equipe sabarense começou a partir de uma parceria com o Santa Helena, um projeto de base com sede em Contagem.
A equipe conta com um time majoritariamente sub-20 — a Segunda Divisão do Mineiro exige atletas exclusivamente sub-23. Na estreia, o Siderúrgica perdeu por 5 a 0 para o Paracatu, fora de casa.
Fonte original: ge (Globo Esporte)