A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito oficial para apurar denúncias de injúria racial contra o vereador Fabrício Polezi (PL), de Piracicaba (SP). O caso teve início após o parlamentar realizar ataques virtuais direcionados ao professor e doutorando em Ciência Política João Vitor Saraiva, residente em Belo Horizonte.
De acordo com o registro policial, as ofensas ocorreram na seção de comentários de um vídeo publicado nas redes sociais. Na ocasião, o vereador chamou o acadêmico de "negrão picareta" e ironizou sua trajetória, questionando se ele residia em um "quilombo na Bahia excluído da civilização", além de alegar que o docente nunca teria estudado ou saído de casa.
João Vitor Saraiva atua na internet produzindo conteúdos voltados ao letramento racial e ao desenvolvimento profissional de pessoas negras. O vídeo que motivou a agressão verbal abordava a inserção e a representatividade de indivíduos negros em cargos de liderança no território brasileiro.
Emocionado com a repercussão do caso, o professor declarou: "Não foi a primeira nem vai ser a última vez que vou sofrer racismo, ainda mais quando eu me posiciono, quando dou a minha opinião. Isso é a realidade de muitas pessoas negras. [...] Mas desta vez eu espero que não fique impune. Estamos buscando justiça."
A investigação criminal está sob a responsabilidade da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas (Decrin), situada em Belo Horizonte.
Questionado sobre as acusações, o vereador Fabrício Polezi negou qualquer irregularidade, classificando a denúncia como "calúnia" e "difamação". O político também comunicou que seu gabinete acionará medidas jurídicas contra o professor.
Por sua vez, a Câmara de Piracicaba emitiu nota declarando que não foi formalmente notificada sobre o episódio, mas enfatizou repúdio a quaisquer manifestações de cunho racista.