Por Rafaela Mansur, g1 Minas — Belo Horizonte
19/09/2026 04h00 — Atualizado em 19/09/2026
Os 11 candidatos ao governo de Minas Gerais apresentam propostas diferentes sobre mudanças climáticas e impactos ambientais da mineração. O g1 apurou o que cada um deles propõe nos planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral.
A mineração é uma das bases da economia de Minas Gerais. Em 2025, o estado arrecadou R$ 3,57 bilhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), o maior valor entre todas as unidades federativas.
Ao mesmo tempo em que gera renda e trabalho, a mineração envolve questões relacionadas à preservação ambiental, ao uso de recursos naturais, à recuperação de áreas degradadas e à segurança de barragens. O estado é o que mais possui estruturas em nível de alerta ou situação de emergência no país – são 84 ao todo, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).
Conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente será um dos desafios de quem assumir o governo mineiro em 2027.
Outra questão será preparar o estado para os efeitos das mudanças climáticas, que afetam cidades e populações, sobretudo as que vivem em áreas de risco. Eventos extremos, como o registrado na Zona da Mata no início deste ano, com 74 mortes, tendem a se tornar mais frequentes.
As outras reportagens da série reuniram as propostas sobre os seguintes temas:
- combate a feminicídios e facções criminosas;
- dívida pública e isenções fiscais;
- filas e desigualdades regionais na saúde;
- rodovias estaduais e transporte metropolitano.
Veja abaixo o plano de cada candidato, por ordem alfabética:
Alexandre Kalil
Alexandre Kalil propõe que água, biodiversidade, cobertura vegetal, áreas de recarga, corredores ecológicos e territórios sujeitos a riscos sejam levados em consideração para a tomada de decisões relacionadas à atividades econômicas.
Ele promete reorganizar o licenciamento ambiental de empreendimentos com base em rigor técnico, previsibilidade e prazo. Sobre as barragens de mineração, o candidato defende o uso de tecnologias de sensoriamento e monitoramento contínuo, além de fiscalização.
Em relação às mudanças climáticas, o plano de governo diz que a vulnerabilidade do estado será mapeada territorialmente, de forma que municípios com maior exposição a eventos extremos recebam apoio para a elaboração de planos de adaptação e prevenção.
O documento diz que a questão climática também é social e que as políticas devem considerar que idosos, crianças, pessoas com deficiência, famílias de baixa renda e populações que vivem em áreas de risco podem sofrer os impactos de maneira desproporcional.
Ben Mendes (Missão)
O plano de governo de Ben Mendes diz que o licenciamento ambiental de empreendimentos de alto risco deve ter mais qualidade técnica e transparência.
Para o monitoramento das atividades, o candidato propõe criar uma "plataforma estadual de inteligência mineral-ambiental" que priorize equipes em campo. Ele defende também a fiscalização anual de estruturas críticas.
O documento não contém propostas específicas para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Cleitinho (Republicanos)
Cleitinho Azevedo defende a digitalização e a simplificação de processos de licenciamento ambiental "sem redução do rigor técnico ou da proteção ecológica", mas não detalha como isso seria feito.
O plano de governo fala em fiscalização transparente de barragens de mineração, por meio do acompanhamento diário da segurança das estruturas.
O documento propõe uma política estadual de adaptação climática para apoiar as prefeituras no enfrentamento de enchentes, secas severas e tempestades. Além disso, prevê que o estado auxilie os municípios no mapeamento de risco e na instalação de redes de alerta meteorológico.
O candidato também promete programas estaduais de reflorestamento e restauração de bacias hídricas.
Flávio Roscoe (PL)
Flávio Roscoe defende adequações na legislação ambiental do estado para prever licença por adesão e compromisso em empreendimentos de menor porte, exigir nexo de causalidade entre as condicionantes impostas aos empreendedores e os potenciais impactos ambientais da atividade, além de reduzir os prazos de análise de licenciamento.
O candidato propõe um cadastro público para permitir que qualquer pessoa acompanhe pela internet se as compensações ambientais prometidas por grandes empreendimentos foram, de fato, cumpridas.
O plano de governo não apresenta propostas específicas para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Gabriel (MDB)
Gabriel defende o monitoramento de barragens e propõe que o estado acompanhe e cobre o cumprimento do cronograma de descaracterização de barragens alteadas a montante, com fiscalização permanente.
Ele propõe um planejamento ambiental para ordenar os instrumentos de licenciamento, autorização para supressão de vegetação e outorga do direito de uso de recursos hídricos. O objetivo é dar previsibilidade aos empreendedores e concentrar o esforço técnico nas atividades de maior risco ambiental.
O plano de governo também fala em apoio técnico aos municípios na prevenção de desastres de impacto regional. A proposta é promover uma coordenação estadual, com monitoramento, alerta e resposta rápida a eventos extremos.
O documento prevê, ainda, uma frente estadual de descarbonização de frotas e compras para a aquisição de ônibus de baixa ou zero emissão e a adoção de critérios ambientais nas compras públicas.
Fonte original: G1