A disputa pelo governo de Minas Gerais foi marcada por intensos debates sobre a situação financeira do estado, a qualidade dos serviços públicos essenciais e os contrastes regionais enfrentados pelos municípios mineiros. A corrida eleitoral também teve como destaque candidaturas cujos nomes foram definidos de última hora, bem próximo ao encerramento do prazo estipulado pela Justiça Eleitoral.
Até a realização do primeiro turno neste domingo (4), temas cruciais dominaram a pauta de debates, entrevistas e agendas de rua. Entre os principais assuntos estiveram a dívida pública de mais de R$ 180 bilhões com a União, as longas filas de atendimento no SUS, o combate à violência contra a mulher, as condições precárias de rodovias e os impactos recorrentes de secas e enchentes. Embora os concorrentes tenham apresentado diagnósticos variados, grande parte das propostas convergiu para melhorias na saúde, segurança pública, educação e infraestrutura.
As propostas e o posicionamento dos candidatos estruturaram-se em torno dos seguintes eixos centrais:
- Indefinição nas candidaturas: O cenário pré-eleitoral foi moldado por articulações intensas, desistências e trocas de partido. No campo da esquerda, o PT negociou com aliados e acabou lançando Patrus Ananias para o governo e Jarbas Soares Júnior como vice, após tratativas frustradas com lideranças como Rodrigo Pacheco e Marília Campos. Do outro lado, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) viveu meses de incerteza até ter sua candidatura oficializada pelo partido após idas e vindas.
- Dívida do estado e incentivos fiscais: O Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) gerou forte divisão. Candidatos como Mateus Simões (PSD) e Gabriel (MDB) defenderam o acordo de renegociação atual, enquanto Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT) apontaram a necessidade de rever prazos e juros. Nomes como Cleitinho Azevedo e Flávio Roscoe (PL) trataram o modelo como um mal necessário, ao passo que candidaturas de oposição mais crítica — Indira Xavier (UP), Rafael Duda (PSTU), Henrique Áreas (PCO) e Professor Túlio Lopes (PCB) — defenderam auditoria e suspensão dos pagamentos. As isenções fiscais a empresas também dividiram opiniões entre revisão, manutenção condicionada e atração de investimentos.
- Filas e atendimento de saúde no interior: A redução de esperas por consultas, exames e cirurgias foi prioridade generalizada. Propostas variaram desde a expansão de hospitais regionais e atenção básica, defendidas por Mateus Simões e Patrus Ananias, até a criação da "Tabela Mineira de Procedimentos Estratégicos" sugerida por Cleitinho Azevedo. Outros candidatos apostaram em gestão digital e telemedicina, como Gabriel, ou na reorganização por macrorregiões, como Alexandre Kalil, além de investimentos estatais diretos propostos por partidos de oposição.
- Combate ao feminicídio e tecnologia na segurança: Diante dos índices de violência contra a mulher, propostas incluíram a expansão da Patrulha Maria da Penha por Mateus Simões, delegacias 24 horas defendidas por Alexandre Kalil, uso de tornozeleiras eletrônicas proposto por Cleitinho Azevedo e adesão ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios por Gabriel e Patrus Ananias. No combate ao crime organizado, destacaram-se projetos tecnológicos como o programa Escudo Mineiro e a instalação de centenas de milhares de dispositivos de reconhecimento facial.
- Rodovias, pedágios e transporte metropolitano: A infraestrutura viária e o projeto do Rodoanel Metropolitano geraram embates diretos. Simões e Roscoe apoiaram a obra para desafogar o trânsito da Grande BH, enquanto Kalil propôs redirecionar recursos para a manutenção permanente das rodovias existentes. Cleitinho concentrou críticas nos pedágios e no IPVA, defendendo o fim da apreensão de veículos em blitzes por falta de pagamento. Gabriel e Patrus defenderam a integração de bilhetagem, expansão do metrô e reativação de linhas ferroviárias.
- Educação em tempo integral e valorização dos professores: A pauta educacional focou na expansão de escolas de tempo integral, melhorias na infraestrutura e valorização profissional. Simões destacou o programa Trilhas de Futuro e reformas escolares; Kalil propôs parcerias com universidades; Cleitinho defendeu recomposição salarial pela inflação; e Patrus enfatizou o cumprimento do piso nacional do magistério e a realização de concursos públicos.
- Secas, enchentes e mineração: Os desastres climáticos e a atividade mineradora pautaram o debate socioambiental. Simões pontuou ações do Comitê Estadual do El Niño; Kalil focou na recuperação de cidades da Zona da Mata atingidas por chuvas; Cleitinho propôs barragens e reservatórios no Norte mineiro; e Gabriel defendeu o conceito de "cidade esponja" e a preservação da Serra do Curral. Partidos de esquerda defenderam maior controle estatal e auditorias nas mineradoras.
Embora temas como cultura, ciência e transição energética tenham ficado em segundo plano ao longo do processo, a corrida eleitoral mobilizou o eleitorado em polos estratégicos de Minas Gerais, com forte presença de agendas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Zona da Mata, Norte, Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce, Triângulo Mineiro e Sul de Minas, onde as demandas variaram desde a segurança hídrica até o desenvolvimento logístico e o agronegócio.
Fonte original: G1