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Raio-X da Insegurança em Minas: Alta nos Feminicídios, Sombra das Facções e Desafios para o Próximo Governo

Raio-X da Insegurança em Minas: Alta nos Feminicídios, Sombra das Facções e Desafios para o Próximo Governo

Por Redação

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Minas Gerais registrou uma importante queda nas mortes violentas no decorrer de 2025, mas, em contraponto, os casos de feminicídio subiram para 177 ocorrências, evidenciando um cenário complejo que impõe grandes desafios à segurança pública do estado. O tema ganha ainda mais relevância por figurar entre as principais preocupações da população e da agenda política para o futuro governo em 2027.

A violência é apontada como a principal apreensão de 33% dos brasileiros ouvidos pela pesquisa Quaest realizada em agosto. Em solo mineiro, a problemática e a sensação de insegurança refletem tanto a persistência da violência de gênero quanto o avanço de organizações criminosas.

Para compreender detalhadamente os principais gargalos e a complexidade do cenário de segurança no estado, destacam-se os seguintes pontos fundamentais:

  • A Luta e a Sobrevivência de Verônica Suriani: Na capital mineira, a advogada Verônica Suriani tornou-se um símbolo de resistência após terminar um relacionamento de quase dois anos devido a agressões. Após a separação, ela passou a ser perseguida e ameaçada pelo ex-companheiro, que também danificou seu veículo. Mesmo registrando boletins de ocorrência e denunciando o descumprimento de medidas protetivas ao longo de seis meses, Verônica foi esfaqueada 17 vezes em maio de 2022, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em um ataque presenciado por seus filhos, então com 7 e 10 anos. Após sua recuperação, ela fundou uma rede de enfrentamento para prestar apoio a outras vítimas.
    • Estatísticas de Violência Doméstica: O Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontou que Minas Gerais contabilizou 177 feminicídios em 2025, superando os 169 registros de 2024. Por outro lado, as tentativas de feminicídio apresentaram recuo, passando de 248 para 207 no mesmo período. Já os casos de lesão corporal dolosa contra mulheres no âmbito da violência doméstica mantiveram-se em patamares elevados e estáveis, somando 24.196 registros em 2025 e 24.142 em 2024.
    • Propostas de Prevenção e Acolhimento: Diante da gravidade dos dados, Verônica Suriani defende a implementação de políticas públicas educacionais nas escolas para debater o machismo e a violência doméstica, além de garantir acolhimento e suporte financeiro para que as mulheres consigam romper com ciclos de violência e deixar situações de risco.
    • Integração de Dados entre Saúde e Segurança: A professora e pesquisadora Ludmila Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enfatiza que os serviços de saúde desempenham um papel estratégico na identificação de mulheres em situação de vulnerabilidade e perigo. Como muitas vítimas buscam atendimento médico após agressões físicas sem acionar formalmente a polícia, a integração de informações entre os setores de saúde e segurança pública seria um mecanismo crucial para prevenir novos ataques e evitar que a fiscalização e a proteção fiquem sob a responsabilidade exclusiva da vítima.
    • Avanço de Facções Criminosas em Contagem: Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, especificamente no bairro Jardim Laguna, em Contagem, moradores enfrentam uma drástica alteração na rotina devido a disputas territoriais pelo tráfico de drogas envolvendo criminosos locais ligados a facções de atuação nacional. Um intenso tiroteio ocorrido em julho resultou em três mortes e dez feridos na localidade. Relatos de moradores ilustram o clima de pavor: uma mãe descreve o desespero para proteger os filhos dentro de casa, enquanto um residente com mais de 40 anos na região relata que o bairro se transformou em um verdadeiro “lugar fantasma” durante a noite, gerando uma permanente sensação de insegurança que levou moradores a evitarem circular tarde da noite.
    • Atuação Policial e Trabalho de Inteligência: Diante do cenário de conflitos armados no Jardim Laguna, as polícias Militar e Civil intensificaram as operações na área. A pesquisadora Ludmila Ribeiro ressalta que o enfrentamento efetivo às organizações criminosas demanda inteligência policial robusta, com foco na asfixia financeira e na movimentação de recursos dos criminosos, resumindo sua visão com a máxima de que “a boa polícia é a polícia que não deixa o crime acontecer”.
    • Panorama das Mortes Violentas no Estado: O estado registrou um total de 2.770 mortes violentas intencionais ao longo de 2025, o que representa uma queda de aproximadamente 14% em comparação com as 3.219 ocorrências computadas em 2024. A taxa mineira fechou em 12,9 mortes por 100 mil habitantes, patamar inferior à média nacional de 19,1. O indicador engloba homicídios, latrocínios e mortes resultantes de intervenções policiais.
    • Disparidade Regional nas Taxas de Criminalidade: A redução estatística estadual não se distribui de maneira uniforme pelos municípios. Uma análise realizada em 36 das cidades mais populosas de Minas Gerais revelou que Araguari, no Triângulo Mineiro, atingiu a maior taxa de mortalidade violenta, registrando 38,89 óbitos por 100 mil habitantes em 2025. Em contrapartida, Belo Horizonte registrou uma taxa de 14,49 por 100 mil habitantes no mesmo período.

    A discussão sobre a escalada da violência contra a mulher e o avanço das organizações criminosas faz parte da série de reportagens especiais "Minas Brasil", exibida pelo telejornal MG2, que se propõe a destrinchar os principais desafios que o próximo governador de Minas Gerais terá de enfrentar a partir de 2027.


    Fonte original: G1


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