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Nova realidade trabalhista: Empresas adotam jornadas reduzidas e repercutem o fim da escala 6x1 nas redes sociais

Nova realidade trabalhista: Empresas adotam jornadas reduzidas e repercutem o fim da escala 6x1 nas redes sociais

Por Redação •

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O cenário das relações de trabalho no Brasil passou a ser o centro de debates intensos após a aprovação, pelo Senado Federal na noite desta quarta-feira (14/10), da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da tradicional escala 6x1. Com a votação expressiva de 75 votos a 1, a jornada máxima de trabalho foi reduzida de 44 para 40 horas semanais. Enquanto o mercado discute os impactos e os métodos de adaptação à nova legislação, diversas empresas aproveitaram o momento para relatar, por meio de plataformas digitais, como já implementaram e vêm gerindo jornadas mais flexíveis em seus estabelecimentos.

Entre os exemplos que ganharam destaque está o da padaria Panadero, que reestruturou suas operações para garantir uma jornada de 40 horas semanais aos seus colaboradores. O novo modelo implementado pelo estabelecimento assegura três folgas por semana, além de folgas quinzelais aos domingos para as mulheres da equipe. Segundo nota divulgada pela empresa, a transição trouxe surpresas positivas na gestão operacional: "E tem uma coisa que nos surpreendeu: a escala 4x3 é muito mais prática de montar do que a 5x2". A direção do negócio também enfatizou sua posição contrária ao modelo anterior: "A escala 6x1, por outro lado, está fora de cogitação por aqui". A gestão pontuou ainda o impacto social da medida, questionando a viabilidade de uma rotina em que o trabalhador enfrenta longos deslocamentos seis dias por semana e dispõe de apenas um dia para descanso, convivência familiar e projetos pessoais.

No setor de gastronomia, a iniciativa de valorização humana também é defendida pela chef Marina Siqueira, participante da segunda temporada do reality culinário Chef de Alto Nível, da Globo, na categoria cozinheiros profissionais. Ela detalhou o funcionamento das escalas 5x2 e 4x3 em seu restaurante, o Miúdo, localizado em Brasília. De acordo com a chef, pesquisas internas embasaram a decisão de estabelecer um piso salarial de R$ 2 mil, valor superior ao salário mínimo nacional, com o objetivo de proporcionar aos funcionários condições de vida que ultrapassem a mera sobrevivência. Além disso, o restaurante garante duas férias anuais, veda o acúmulo de funções — determinando que cada profissional exerça estritamente a atividade para a qual foi contratado — e realiza todas as contratações sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garantindo segurança jurídica tanto para os empregados quanto para a gestão. “A gente só consegue ter uma excelente comida com padrão e constância porque todo mundo aqui entende que a coisa mais importante de uma empresa é gente”, ressaltou Marina.

No Rio de Janeiro, a hamburgueria Midnight Burguer, situada em São Cristóvão, também compartilhou os resultados da adoção da escala 5x2, iniciada em maio. Um vídeo publicado pelo empreendimento alcançou a marca de 3 milhões de visualizações e voltou a circular na web após a aprovação da PEC. O proprietário, Gabriel Alves Pereira, explicou que a equipe passou a cumprir uma jornada de 36 horas semanais, com direito a oito folgas por mês e sem nenhuma redução salarial. No registro audiovisual, funcionárias relataram melhorias significativas na rotina, como a possibilidade de reorganizar os dias de folga para participar de compromissos escolares e familiares, conciliando as demandas domésticas com o descanso adequado. Pereira reconheceu que o processo exige constantes ajustes operacionais, mas defendeu que o crescimento do setor de food service deve estar atrelado à qualidade de vida: “Nós ainda estamos ajustando muita coisa, é claro que nada é perfeito, mas a gente acredita que hamburgueria boa cresce não só em faturamento, mas também em qualidade de vida".

A mudança de paradigma também foi celebrada por equipes de outros estabelecimentos, como o bar Manezinho. Colaboradores da cozinha, a exemplo de Gustavo e Saulo, relataram que o regime de folgas ampliado reduziu o desgaste físico e mental, permitindo maior tempo de convivência com cônjuges e filhos, além de garantir um retorno às atividades profissionais com maior disposição. O proprietário do restaurante, Bruno Luciano, que havia anunciado a nova escala em maio, reforçou que a iniciativa vai muito além do cumprimento de obrigações trabalhistas ou imposições governamentais: trata-se de um objetivo legítimo que finalmente pôde ser concretizado em benefício do capital humano.


Fonte original: Globo


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