A queda de um avião monomotor sobre os trilhos do metrô de Belo Horizonte, ocorrida nesta sexta-feira (9), representa o terceiro acidente grave envolvendo aeronaves na Grande Belo Horizonte desde maio deste ano. A tragédia aconteceu nas proximidades da Estação São Gabriel, onde o aparelho despencou, colidiu contra a estrutura de um galpão da concessionária Metrô BH e atingiu a fiação elétrica do pátio de manutenção, sendo consumido pelas chamas. Apenas o piloto estava a bordo no momento da ocorrência e ele morreu carbonizado.
A vítima foi identificada como Daniel da Silva de Souza Salomão, de 31 anos. De acordo com as informações apuradas, o avião havia decolado do Aeroporto da Pampulha, com plano de pouso programado em Juatuba, na Região Metropolitana, e retorno previsto para a capital mineira logo em seguida. A aeronave pertencia à empresa baiana Bello Fruit Importação e Exportação, que emitiu nota oficial lamentando profundamente o falecimento do comandante, prestando solidariedade aos familiares e afirmando que colaborará de forma integral e transparente com as investigações, fornecendo todos os documentos solicitados.
Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o aparelho estava em situação regular, contando com certificado de inspeção válido até outubro de 2027. O registro indicava uso estritamente privado, sem autorização para operações comerciais, como táxi aéreo ou transporte regular de passageiros. O Corpo de Bombeiros confirmou que, apesar da violência do impacto e do fogo, nenhuma pessoa que estava no solo ou nas instalações do metrô ficou ferida. A Polícia Civil encaminhou o corpo do piloto ao Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte para os procedimentos cabíveis.
A Força Aérea Brasileira (FAB) acionou investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) para apurar as causas e as circunstâncias do acidente. Durante a fase inicial da ocorrência, profissionais especializados aplicam protocolos específicos para a coleta e confirmação de dados, preservação de elementos e verificação dos danos causados pela queda. A aeronave envolvida era um modelo EMB-711ST Corisco II Turbo, fabricado em 1988 pela Neiva e incorporado posteriormente pela Embraer, sob licença da Piper Aircraft.
Principais características da aeronave acidentada:
- Matrícula: PT-VHE
- Modelo: EMB-711ST Corisco II Turbo
- Fabricante no Brasil: Embraer/Neiva, sob licença da Piper Aircraft
- Categoria: Avião leve de aviação geral
- Ano de fabricação: 1988
- Tipo: Monomotor a pistão, turboalimentado
- Configuração: Asa baixa, cauda em T e trem de pouso retrátil
- Capacidade: Até quatro ocupantes, incluindo o piloto
- Uso: Transporte particular, turismo e aviação geral
O histórico recente de acidentes aeronáuticos na Região Metropolitana de Belo Horizonte tem gerado preocupação. O primeiro caso da série ocorreu em 4 de maio de 2026, quando um monomotor de pequeno porte caiu e colidiu contra um prédio residencial localizado na Rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira, Região Nordeste da capital, resultando em três mortes e dois feridos. Posteriormente, em 25 de agosto, outro monomotor de pequeno porte caiu no distrito de Serra Azul, em Mateus Leme. Naquela ocasião, o piloto acionou com sucesso o sistema de paraquedas balístico da aeronave, conseguindo sair praticamente ileso do sinistro. Agora, com o desastre na linha férrea do metrô, as autoridades reforçam o monitoramento e a rigorosa apuração técnica dos fatores que têm contribuído para esta sequência de ocorrências na aviação geral mineira.
Fonte original: G1