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Salários de Professores no Brasil: Estudo Revela Remuneração Média, Desafios da Carreira e Déficit em Relação a Outras Profissões

Salários de Professores no Brasil: Estudo Revela Remuneração Média, Desafios da Carreira e Déficit em Relação a Outras Profissões

Por Thais M Valente •

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A remuneração dos professores no Brasil varia consideravelmente conforme a etapa de ensino e a disciplina lecionada, refletindo um cenário de baixa atratividade financeira para a carreira docente. De acordo com a '2ª Pesquisa Apagão dos Professores', realizada pelo Instituto Semesp, um docente de Filosofia do ensino médio recebeu, em média, R$ 4.082 mensais em 2025. Em contrapartida, a média salarial para professores de Matemática ficou em R$ 5.726, enquanto nas disciplinas pedagógicas alcançou R$ 7.294.

Considerando o ensino médio em sua totalidade, a remuneração média registrada foi de R$ 6.574. Esse montante equivale a aproximadamente 80% da renda média geral dos trabalhadores brasileiros que possuem ensino superior completo, patamar que gira em torno de R$ 8,1 mil. O levantamento detalha os ganhos médios por etapa educacional e por áreas específicas do conhecimento, evidenciando as disparidades dentro da própria rede de ensino.

Média de remuneração por etapa do ensino:

  • Professor de Nível Superior na Educação Infantil (0 a 3 anos): R$ 5.105
  • Professor de Nível Superior na Educação Infantil (4 a 6 anos): R$ 5.307
  • Professor de Nível Superior do Ensino Fundamental I: R$ 6.166
  • Professor de Nível Superior do Ensino Fundamental II: R$ 5.426
  • Professor do Ensino Médio: R$ 6.574

Salário médio por disciplina no Ensino Fundamental II:

  • Professor de Ciências Exatas e Naturais: R$ 5.930
  • Professor de Educação Artística: R$ 5.355
  • Professor de Educação Física: R$ 4.801
  • Professor de Geografia: R$ 4.801
  • Professor de História: R$ 5.179
  • Professor de Língua Estrangeira Moderna: R$ 4.964
  • Professor de Língua Portuguesa: R$ 6.198
  • Professor de Matemática: R$ 5.029

Salário médio por disciplina no Ensino Médio:

  • Professor de Artes: R$ 4.994
  • Professor de Biologia: R$ 4.916
  • Professor de Disciplinas Pedagógicas: R$ 7.294
  • Professor de Educação Física: R$ 5.180
  • Professor de Filosofia: R$ 4.082
  • Professor de Física: R$ 4.433
  • Professor de Geografia: R$ 5.718
  • Professor de História: R$ 5.661
  • Professor de Língua e Literatura Brasileira: R$ 4.941
  • Professor de Língua Estrangeira Moderna: R$ 5.545
  • Professor de Matemática: R$ 5.726
  • Professor de Psicologia: R$ 4.990
  • Professor de Química: R$ 4.470
  • Professor de Sociologia: R$ 4.695

Apesar da relevância dos dados financeiros, o estudo aponta que o salário é apenas um dos componentes que dificultam a atração e a retenção de profissionais na Educação Básica. Entre os docentes consultados, 58,3% destacam a baixa remuneração como um obstáculo, mas o fator mais citado foi a falta de valorização e de estímulo à carreira, mencionada por 74,8% dos participantes. Outros desafios recorrentes incluem a falta de disciplina e de interesse dos alunos (62,8%), a carência de apoio e reconhecimento por parte da sociedade (61,3%) e o baixo envolvimento das famílias (59%).

Esse conjunto de adversidades gera um reflexo direto no nível de insatisfação da classe: 79,4% dos professores afirmam já ter pensado em abandonar a profissão, e apenas 5% declaram sentir motivação e confiança em relação ao futuro na área. A crise de atratividade agrava o desafio de renovação do quadro docente. Entre 2015 e 2025, o total de professores do Ensino Médio com até 24 anos sofreu uma retração de 31,1%, ao passo que o grupo de profissionais com 60 anos ou mais registrou um crescimento de 104,5%.

No cenário internacional, dados do relatório Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trazidos pelo Instituto Semesp, demonstram a desvantagem do Brasil na progressão e nos valores iniciais pagos aos docentes. Em 2024, um professor brasileiro do Ensino Médio em início de carreira recebia o equivalente a US$ 24,5 mil anuais (valores ajustados pela paridade do poder de compra). A quantia fica abaixo da registrada em nações como Chile (US$ 31 mil), Coreia do Sul (US$ 37,8 mil), Portugal (US$ 41,3 mil), Finlândia (US$ 48,9 mil), Canadá (US$ 50,1 mil), Austrália (US$ 57,5 mil) e Dinamarca (US$ 59,8 mil).

Além da remuneração inicial inferior, o estudo destaca a limitação na perspectiva de crescimento financeiro ao longo dos anos no Brasil, contrastando com modelos internacionais onde os salários podem duplicar ou triplicar no topo da carreira. Para o Instituto Semesp, a superação desse quadro exige políticas públicas que vão além de reajustes pontuais, englobando a valorização estrutural, planos de carreira consistentes e a melhoria das condições de trabalho para assegurar a renovação dos profissionais da educação básica brasileira.


Fonte original: G1


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